Se fosse feita uma pesquisa para enumerar os inimigos dos adolescentes, sem dúvida as espinhas e os cravos fariam parte do “Top 5”. Só para se ter uma ideia, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou uma pesquisa que revela que 80% dos jovens entre 12 e 21 anos têm problemas com a acne. Isso significa que é praticamente uma raridade passar pela adolescência sem se olhar no espelho e perceber que, da noite para o dia, uma “erupção” brotou bem no meio do rosto. Mas não se desespere. Tudo isso tem tratamento!
Afinal, o que é acne?
A acne é uma doença de pele caracterizada pelo aparecimento de comedões (cravos, aqueles pretinhos) e lesões inflamatórias - as temidas espinhas, com pus. Os hormônios típicos da adolescência estimulam a produção de sebo pelas glândulas sebáceas.
Como é nessa mesma época que a pele engrossa, o óleo acumulado fica preso nela, formando os cravos. E aí começa a bola de neve, porque, quando eles inflamam, as espinhas aparecem. Os locais mais comuns para o surgimento da acne são: o rosto, as costas e o tórax.
Fatores emocionais como estresse na véspera de provas, brigas com o namorado ou problemas com os pais podem agravar o estado de quem já tem uma tendência natural para ter espinhas e cravos. A oleosidade na pele aumenta e a ansiedade faz com que a pessoa não pare de mexer no rosto, como se fosse um tique nervoso. E é nesse momento que as bactérias aproveitam para atacar, inflamando a pele.
Xô, espinhas!
O tratamento deve começar ao primeiro sinal: “Assim como as meninas vão ao ginecologista após a primeira menstruação, elas devem ir ao dermatologista quando a primeira espinha aparecer. Os meninos também!”. A prevenção pode ser o melhor remédio e ajuda a evitar cicatrizes e manchas na pele.
A acne tem grau variável. Os mais leves e comuns podem ser combatidos com cuidados simples para manter a pele limpa. A inflamação é uma característica de graus mais elevados e precisa de cuidados especiais. Existem dois tipos de tratamento: o uso de substâncias externas que agem sobre a pele e o uso de antibióticos para combater as bactérias causadoras da infecção.
No primeiro caso, é recomendado o uso diário de sabonetes à base de ácido salicílico, ácido lactobiônico, enxofre, entre outros. Essas substâncias tiram a oleosidade excessiva da pele e ajudam a secar as espinhas. Para o resultado ser o esperado, costuma-se associar esse tipo de tratamento ao uso de antibióticos.
Nos casos de acne mais grave, que não respondem aos tratamentos mais comuns, às vezes é preciso apelar para uma arma mais pesada. E é aí que entra a substância isotretinoína, que nas farmácias também é conhecida como “Roacutan”. Ela atrofia a glândula sebácea e diminui drasticamente a oleosidade da pele, do cabelo e de outras áreas do corpo. No início, causa um ressecamento intenso em todo o corpo, principalmente na boca.
Após o término da medicação, a pele volta a ter um pouco de oleosidade, mas não na mesma proporção de antes. A dose do remédio depende do peso corporal e precisa de monitoramento. Por isso, não custa lembrar que cada caso é um caso. E só um dermatologista pode indicar o melhor tratamento para cada tipo de pele.
Se a guerra contra as espinhas é declarada, nada melhor do que encarar o inimigo de frente. Sem enrolação e sem demora.
S.O.S limpeza
Se depois de ler essa matéria você começou a se preocupar com a sua pele, aqui vão algumas dicas de limpeza para o dia a dia.
1) Mantenha a pele limpa usando sabonetes ou géis de limpeza que contenham enxofre e/ou ácido salicílico, pela manhã e à noite.
2) Use sempre filtros solares e hidratantes à base de gel ou loção, livres de óleo (oil-free).
3) Antes de dormir, o ideal é usar algum produto anti-acne indicado pelo dermatologista.
4) Nunca durma com maquiagem. Ela estimula o surgimento de cravos e espinhas, devido à prolongada obstrução dos poros da pele.
5) É proibido espremer cravos e espinhas. Eles devem ser extraídos por profissionais, quando você fizer uma limpeza de pele. Ah! E essa história de que pasta de dente seca espinha é mito.